segunda-feira, 18 de maio de 2009

Você sabe liderar?

Muito se fala na importância de um líder para a organização em que trabalha. Certamente, a opinião unânime é que o líder é fundamental para a sobrevivência de qualquer empresa. Sem ele e sua visão criativa, aglutinadora e inspiradora as empresas estariam paradas no tempo ou nem existiriam. Não há como criar um novo produto ou serviço nem como contar com o trabalho de equipe para botar todas as ideias em prática.

Bem, sabemos que este profissional é importante, mas é difícil saber o que faz dele um líder. Que características ele deve ter? Há diferença entre gerente, gestor e líder? Quem nos ajuda a responder essas perguntas é Flávio Maneira, líder em uma empresa multinacional e palestrante do curso Liderança: a Arte de Liderar Pessoas, da Catho Online.

Logo de início, Flávio sintetiza o perfil de um líder. “Diferente do chefe, o líder não é mandatório nem tarefeiro. Ele pensa”, explica. “O objetivo do líder é fazer com que sua liderança não informe valores, mas sim crie valores. E ao preparar sua equipe para gerar valor e estamos falando de performance”, pontua. Ele também traz números importantes sobre a relação dos fracassos empresariais com a liderança.

Segundo a conceituada revista Fortune, apenas 10% das mudanças que foram programadas são implementadas e 87% desses fracassos são decorrentes da falta de habilidade do líder com sua equipe. Esses dados só vêm reforçar a importância desses profissionais para as organizações. Para o palestrante, um dos erros mais comuns que levam a esses fracassos é a ausência de valores no trabalho.

“Normalmente, a empresa pede algo para o líder e ele apenas transfere o pedido para sua equipe. Um bom líder deve fazer com que a equipe entenda o real valor do que será feito. Criando esse valor, sempre dá resultado positivo, pois ele se sente valorizado e integrante do processo e não apenas executor”, explica. E ele recomenda que essa explicação seja feita de modo individual e customizado para cada funcionário. Veja o exemplo dado por Flávio:

Ele conta que recentemente assumiu uma equipe e antes de qualquer ação, encaminhou aos colaboradores um arquivo em PowerPoint se apresentando, tanto pessoal como profissionalmente, além de incluir seus objetivos e valores. “Dessa forma estimulei que eles fizessem o mesmo para que eu pudesse os conhecer melhor, incluindo suas expectativas. Para ser líder, é preciso conhecer e respeitar seus liderados”, indica. A proposta foi super bem aceita e ele ouviu comentários dizendo que chefe algum havia perguntado quais eram as expectativas.

Thaís Vanessa Alves Pereira, advogada do Gmac, Banco de Rede Chevrolet, também recomenda respeitar e conhecer os integrantes da equipe para conquistar melhores resultados. “É fundamental pensar e sentir como seu time para ter foco e atingir os resultados. Esse é um grande desafio, pois é preciso mantê-los sempre motivados e unidos, sendo que cada pessoa pensa e age de um jeito”, analisa a advogada, que foi aluna de Flávio num dos cursos de liderança promovidos pela Catho Online.

Outra lição para um bom líder diz respeito às avaliações de desempenho dos funcionários. Para Flávio, a maioria das empresas trabalha de forma errada com esta importante ferramenta de gestão de pessoas. Elas pegam as piores características de um funcionário e pedem que ele melhore nesses quesitos. “É muito mais proveitoso potencializar os pontos já fortes que treinar e gastar dinheiro com os pontos fracos. Quando o funcionário percebe que realmente está sendo valorizado e desenvolvido, ele fica muito mais motivado para trabalhar”, analisa.

Acredite, mas ainda é muito comum também encontrar líderes que usam o poder ou a altura da voz para “motivar” suas equipes. Obviamente que esta prática é condenada. “Um bom líder tem que se posicionar num mesmo nível que sua equipe para poder ouví-los, entendê-los e saber direcioná-los. Ele é o grande responsável por dar um norte”, aponta Thais. No entanto, se a sua empresa precisar de bons resultados e equipes de alta performance usar o poder não vai funcionar. “Essa ‘técnica’ não funciona com os profissionais mais talentosos. Infelizmente, muita empresa ainda trabalha assim. 80% das empresas no Brasil têm líderes despreparados”, aponta Flávio.

Hoje em dia, informação é o que não falta para mostrar técnicas defasadas para exercer liderança. São inúmeros livros, palestras, cursos, seminários, e a própria Internet, que trazem informações úteis a esse respeito. Mas porque mesmo tendo conhecimento, as empresas não trabalham com as melhores práticas? “Elas ainda não estão preparadas. Apesar de dizerem o contrário, as empresas ainda não entenderam que o foco deve estar nas pessoas e não em tarefas”.

Para Flávio, o profissional que dá foco em tarefas, que apenas administra, que prioriza sistemas e estruturas e é controlador é considerado um gerente ou chefe. Líder é exatamente o contrário, pois ao invés de administrar, inova. Não controla, mas inspira confiança nas pessoas, as quais se sentem priorizadas. “Muitos profissionais agem assim por falta de conhecimento, insegurança e medo de delegar e de seus funcionários aparecerem mais”, aponta o palestrante, que ainda indica pilares que considera fundamentais para um bom líder:

- Líder situacional: a liderança deve ser exercida conforme o perfil e personalidade de cada liderado, observando também o local e situação.

- Feedback: é muito importante saber dar um feedback. A orientação aqui também é conhecer bem seu liderado para poder dizer que ele fez algo errado. Com algumas pessoas, funciona falar mais duro. Com outras, basta ser mais calmo. Até o tom de voz e o lugar influenciam no resultado.

- Motivação: empresas e seus líderes não têm o costume de elogiar e motivar. Acreditam que o elogio desmotiva a pessoa a continuar se desenvolvendo. É como num casamento: depois que o homem conquista a mulher, para de elogiar e abre concorrência.

Agora, muito se engana quem acredita que liderança deve ser desenvolvida e aplicada apenas dentro das empresas. Sim, na vida pessoal também é muito útil. “É impossível conhecer seus funcionários se você não conhece a si próprio”, aponta Flávio. Já Thais, vai mais longe. “Aplico as técnicas de liderança em tudo na minha vida. Mesmo na relação com meu marido, pai ou mãe é fundamental saber ouvir, entender o outro, dar um bom feedback e conseguir expor seus sentimentos verdadeiramente”, finaliza.


Fonte: Cahto
Daniel Limas

sábado, 16 de maio de 2009

PUC-Rio lança programa gratuito de orientação a empreendedores

O Instituto Gênesis da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) lança o programa "Inove Carreiras & Negócios", com o objetivo de chamar atenção para temas como o empreendedorismo, planejamento e inovação. O projeto visa aumentar o acesso ao conhecimento para a montagem ou desenvolvimento de novos negócios e captar projetos que tenham potencial para tornarem-se empreendimentos auto-sustentáveis. A iniciativa é uma parceria com o Sebrae Nacional, Sebrae RJ, UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), UFF (Universidade Federal Fluminense) e UVA (Universidade Veiga de Almeida) destinada ao público em geral, que pretende atender cerca de 4 mil pessoas durante todo o ano de 2009.

O programa é gratuito e será realizado por meio de palestras e orientações. Inicialmente os interessados participam de um encontro de uma hora, que tem como objetivo despertar o espírito empreendedor. A segunda etapa, com duração de 12 horas, é divida em 3 aulas, onde os alunos recebem orientações sobre Atitude Empreendedora, Mercado e Inovação e Plano de Negócios. Ao final do curso, os participantes entregam um Plano de Negócios resumido, podendo ser selecionados para receber consultoria individual.

O "Inove Carreiras & Negócios" acontece simultaneamente em quatro universidades do Estado. As inscrições podem ser feitas pelos seguintes contatos:

-PUC-Rio - Instituto Gênesis - Gávea - 21- 3527-1371 ou genesis@puc-rio.br.
- UVA - Universidade Veiga de Almeida - Tijuca - (21) 2574-8996 - incubadora@uva.br.
- UERJ - Universidade Estadual do Rio de Janeiro - Maracanã - (21) 2587-7211 mateusrcm@nuseg.uerj.br.
- UFF- Universidade Federal - Niterói - (21) 2629-9972 - incubadora@incubadora.uff.br.

Fonte: Assessoria de imprensa da PUC-Rio.

Crise não sufoca os novos negócios, diz Cliff Reeves

Chefe de negócios emergentes da Microsoft diz que novas empresas estão começando mesmo sem investidores

Da Redação, com a Reuters

Steve Ballmer, CEO da Microsoft, em conferência na Índia
Steve Ballmer, CEO da Microsoft, em conferência na Índia
Investimentos de capital de risco vêm diminuindo na atual economia em recessão, mas isso não está necessariamente sufocando negócios iniciais no setor de tecnologia, uma vez que está se tornando mais fácil abrir empresas sem investimento externo, afirma a Microsoft.

"Com o advento da computação relativamente barata, da banda larga relativamente barata, o custo de iniciar um empreendimento tem caído," disse o chefe de negócios emergentes da Microsoft, Cliff Reeves, à Reuters.

Especial primeiro emprego
Microsoft anuncia demissões no Brasil

"Muitas das empresas estão começando sem investidores", afirmou Reeves durante um anúncio da Microsoft nesta semana de que firmou uma parceria com o banco HSBC e a provedora de telecomunicações BT para ampliar sua rede de suporte ao empreendedor.

Robert Hendershott, professor de private equity e empreendedorismo na Universidade de Santa Clara, também argumentou recentemente que capital de investimento vem se tornando menos relevante para empreendedores abrindo empresas de Internet.

Em um ensaio a ser publicado na próxima edição do International Review of Entrepreneurship, ele escreve que muitos empreendedores agora podem financiar suas empresas apenas com sua poupança, empréstimos de familiares e amigos ou descontando no cartão de crédito.

Investimentos em empresas start-ups nos Estados Unidos diminuíram pela metade no primeiro trimestre, para 3 bilhões de dólares, segundo o relatório MoneyTree Report, da National Venture Capital Association e da PricewaterhouseCoopers, com base em dados da Thomson Reuters.

Investimentos de capital de risco em softwares nos EUA também caíram de 1,38 bilhão de dólares, um ano atrás, para 614 milhões de dólares, enquanto aportes em telecomunicações caíram de 436 milhões para 110 milhões de dólares, e investimentos em Internet caíram para 556 milhões de dólares, ante 1,32 bilhão de dólares no ano passado.

Reeves sustenta, no entanto, que investidores sérios não irão sumir: "Aqueles que têm portfólios de investimentos sólidos continuarão no mercado, por isso ainda que haja talvez uma pequena redução, a qualidade dos investimentos continua alta", disse.

A Microsoft não tem um fundo de investimentos de capital próprio, mas lançou uma iniciativa em novembro com diversos parceiros para apoiar empreendedores com recursos, tanto materiais quanto intelectuais. O HSBC é seu maior parceiro financeiro.

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Reunião com a Incubadora de empresa da Universidade Veiga de Almeida

Primeira reunião realizada no dia 8/05/2009 às 18:00 com uma Incubadora de Empresas da Universidade Veiga de Almeida. Inicialmente foi explicado o Projeto EUREKA e os objetivos de incubá-lo. Catarina (responsável pela Incubadora) gostou do projeto e suas observações foram para ter atenção para a possibilidade do Portal se tornar um sucesso da noite para o dia. Ela achou importante realizar uma nova reunião com a presença do Coordenador da Incubadora, professor Celso Leonardo. A data ainda não está confirmada.

Obtive a informação que as empresas incubadas paga uma taxa mensal fixa e tem direito de 2 horas de consultoria por área, sendo as mesmas; Gestão, Estratégia, Marketing, Finanças e Vendas / Atendimento ao Cliente. Disse que às duas horas não são rígidas, podendo ser superadas.

Para uma empresa ser incubada, é necessário passar por um processo seletivo, que será iniciado até o final do mês. A primeira etapa do processo e apresentar uma proposta simples explicando o que é empresa e quais são seus objetivos. As empresas selecionadas passam por um treinamento sobre construção de plano de negócios e no final do curso o Projeto é apresentado para uma banca examinadora, que seleciona as melhores propostas.

E o projeto EUREKA?


Bom que esse blog surgiu junto com a idéia de elaboração do plano de negócios EUREKA todos já sabem. De acordo com o desenvolvimento da pesquisas, identificava informações relevantes para a construção do meu plano de negócios fui compartilhando dados importantes e relevantes que pudesse auxiliar a criação de planos de negócios de outros empreendedores.

Hoje o plano de negócios já foi concluído e trabalho (no meu horário vago) para encontrar um caminho para viabilizar o negócio e melhor estruturar o projeto.

Meu projeto é de base tecnológica e tem como ambição contribuir de maneira relevante o desenvolvimento empreendedor e da inovação no mercado nacional e (quem sabe um dia) no mercado internacional.

Atualmente minha pesquisa segue o caminho necessário para viabilizar um negócio inovador aproveitando a estrutura de incentivo, seja identificado editais que apóiam está iniciativa (FINEP, BNDS entre outros) .

Por esse motivo estou implementado uma nova área no blog intitulada “evolução EUREKA”. Essa área tem como ambição se tornar um diário de bordo das atividades desenvolvidas no “Projeto EUREKA”, seguindo de sua faze “pré-conceitual” até a implantação do Projeto propriamente dito.

Gostaria que esses área seja um guia para pessoas que estão passando pelo mesmo processo que eu.

Não esquecendo é claro que toda essa história começou com o “Concurso Cultural Prêmio Extra Sebrae de Empreendedorismo”, e que já tem algum tempo que eu não toco no assunto no blog. Pois é também estou ansioso. Entrei em contato recentemente como o SEBRAE para saber se existia alguma novidade sobre o concurso e recebi a informação que os planos de negócios estavam sendo analisados e que a conclusa da avaliação só sairia em meados de maio e que após esta conclusão todos os que enviaram o plano de negócios seriam convidados para uma cerimônia de premiação e que somente no local os 10 vencedores seriam anunciados, como se fosse um Oscar dos planos de negócios.

Estou na expectativa, e sem duvida nenhuma o blog terá uma cobertura da cerimônia.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Em busca do capitalismo criativo

por Cynthia Rosenburg e Aline Ribeiro
Fale com as autoras
Ilustrações MYS

Um dos ícones
do capitalismo,
Gates faz agora
um chamado às empresas:
“Elas têm as habilidades
para criar inovações
que beneficiem
os mais pobres”
No fórum econômico mundial, em debates nas universidades e num manifesto publicado na revista Time, Bill Gates, fundador da Microsoft, conclama as empresas a usarem a imaginação para reduzir a pobreza e a desigualdade por meio da criação de oportunidades de negócios. Bem-vindo à segunda onda de inovações na base da pirâmide: co-nheça as experiências mais promissoras no Brasil e lá fora para incluir uma parcela gigantesca da população que permanece à margem numa época de enormes avanços na ciência, na medicina e na tecnologia.

O economista austríaco Joseph Schumpeter, um dos mais notáveis pensadores do século 20, cunhou a expressão “destruição criativa” para designar a revolução permanente do capitalismo que avança à medida que novas tecnologias, empresas e modelos de negócios substituem os antigos. Para Schumpeter, a inovação é a força motriz do capitalismo. Mais de meio século após sua morte, um dos empresários mais inovadores e dono da maior fortuna dos Estados Unidos, William Henry Gates III, conclama as corpo-rações a usarem a imaginação para livrar o capitalismo de uma de suas mais clamorosas imperfeições: o mesmo sistema que hoje leva o mundo à produção de riqueza numa escala jamais imaginada não consegue eliminar uma desigualdade brutal entre os mais ricos e os mais pobres. “Capitalismo criativo” é como Bill Gates, fundador da Microsoft, batizou esse desafio no Fórum Econômico Mundial realizado em janeiro passado em Davos, em encontros em universidades e com personalidades do setor público e dos negócios e num artigo-manifesto publicado recentemente na revista Time.

Gates argumenta que os avanços recentes na ciência, na tecnologia, na medicina, na economia e na política fazem com que o mundo de hoje seja muito melhor que o mundo do passado. A expectativa de vida nunca foi tão alta, há novas possibilidades de cura para diversas doenças, as mulheres conquistam cada vez mais espaço na sociedade e mais pessoas podem escolher seus governantes em eleições democráticas, entre muitos outros aspectos. Esses avanços, porém, não resolvem a desigualdade – muitas vezes, contribuem para acentuála – e não beneficiam a população global como um todo. Uma parcela gigantesca da humanidade se mantém à margem dos benefícios do progresso. “Cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo não têm o suficiente para comer, eletricidade ou acesso a água potável, coisas básicas para nós”, afir-ma Gates. E conclui: “No sistema capitalista, quanto maior a riqueza das pessoas, maior é o incentivo financeiro para que elas tenham suas necessidades atendidas. Quanto menor a riqueza, menor o incentivo. Precisamos encontrar uma maneira de fazer com que os aspectos do capitalismo que beneficiam os mais ricos beneficiem também os mais pobres”.

Em junho passado, Gates deixou a Microsoft (leia entrevista na pág. 92) para se dedicar à Fundação Bill & Melinda Gates. A instituição foi criada por ele e pela mulher, em 2000, para desenvolver projetos e injetar recursos que ajudem a com-bater a pobreza, com base em critérios sofisticados de avaliação de resultados. Em 2006, ao receber uma doação de US$ 30 bilhões do investidor Warren Buffett, tornou-se a maior organização filantrópica privada global. Com base em sua experiência na fundação, Gates poderia sugerir o assistencialismo como solução para as mazelas do mundo. Em vez disso, a reinvenção que propõe passa principalmente pelas forças do mercado – e dependerá em boa medida da capacidade de as empresas criarem negócios que envolvam as camadas mais baixas. “As instituições sem fins lucrativos e os governos têm um papel essencial na solução dos problemas, mas levarão tempo demais, se trabalharem sozinhos”, afirma. “São as em-presas que têm as habilidades para desenvolver inovações que beneficiem os mais pobres. O desafio é desenhar um sistema no qual incentivos como lucro e reputação direcionem as companhias para esse caminho. O capitalismo criativo é uma abordagem na qual empresas, governos e organizações sem fins lucrativos trabalham juntos para ampliar o alcance do mercado de maneira que seja possível reduzir a desigualdade.”

A conclamação de Gates despertou uma discussão acalorada. Entre outros motivos, por seu histórico empresarial. A Microsoft não só jamais buscou desenvolver negócios com a população mais pobre como também cresceu amparada em práticas reconhecidamente anticompetitivas. Em janeiro deste ano, o jornalista político americano Michael Kinsley criou o blog Creative Capitalism – A Conversation, no qual convida outros jornalistas, economistas e demais interessados a deba-ter as idéias de Gates. Desde então, uma torrente de análises e manifestações vêm sendo publicadas no site. Algumas serão reunidas num livro, com lançamento previsto para o fim deste ano. As principais considerações foram relatadas por Kinsley num artigo intitulado A Audácia de Bill Gates, publicado na mesma edição da revista Time em que o bilionário defendia a urgência de “consertar” o capitalismo. “Os entusiastas do livre mercado acreditam que qualquer objetivo que o capitalismo tenha fracassado em atingir só pode ser culpa da interferência do Estado”, escreve Kinsley. “Há quem acredite que a ênfase de Gates em mudar o comportamento das grandes corporações seja equivocada. Melhor seria, dizem eles, espalhar a música do livre mercado em lugares onde a corrupção e a burocracia ainda sufocam o capitalismo.”

Gates diz que o desafio
é criar incentivos de mercado
para que as empresas desenvolvam
negócioscom as populações mais pobres.
O que elas ganhariam com isso?
Lucros e reputação
Na conclusão do artigo, Kinsley alerta os leitores para o fato de que ele próprio trabalhou para a Microsoft por sete anos e é casado com uma consultora e ex-presidente da Fundação Gates. E afirma que a reação geral à nova proposta do ex-patrão tem sido positiva. “Ninguém pode condená-lo pelo fato de colocar questões importantes em discussão”, afirma. “O timing é perfeito. Há um interesse crescente, especialmente entre a população jovem, em ajudar os mais pobres, e até mesmo a corporação mais troglodita está sendo pressionada a ser ambientalmente correta. É o momento certo para que o maior titã corporativo de todos os tempos dirija sua atenção para os problemas que o software não pode resolver.”


Há uma crítica recorrente ao chamado de Gates: a de que seria abrangente demais. “O mais frustrante sobre o debate iniciado por Bill Gates é que o termo ‘capitalismo criativo’ é muito vago e engloba os mais diferentes tipos de atividade”, afirma Clive Crook, comentarista do britânico Financial Times. De fato, na parceria entre setores proposta por Gates há de tudo um pouco – de iniciativas de promoção do comércio justo (que permitam, por exemplo, que pequenos agricultores de café tenham sua produção vendida para grandes redes como a Starbucks) a ações que mais lembram os primeiros projetos de responsabilidade social das empresas (como a campanha RED, criada pelo músico e ativista Bono Vox, segundo a qual companhias como Gap ou Hallmark direcionam uma parcela do lucro de determinadas linhas de produto para o Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária). Mas é também verdade que Gates dá ênfase especial a um aspecto bastante específico e considerado muito promissor: a possibilidade de as empresas encontrarem formas lucrativas de se relacionar com a população mais pobre. Nesse terreno, a própria Microsoft está tentando se mexer. Em abril de 2007, a companhia criou o Unlimited Potential Group, uma divisão formada por 150 funcionários que tem como objetivo desenvolver soluções de tecnologia para as classes C, D e E em mercados como América Latina, China, Índia, Ásia e Europa Central. A meta é alcançar 1 bilhão de pessoas até 2015. “Cinco bilhões de pessoas são hoje excluídas do mercado de tecnologia”, afirma Jorge Salles, gerente do Unlimited Potential Group para a América Latina. “Vamos trabalhar com outros parceiros para testar novos produtos e modelos de negócios voltados para esse público. Aqueles que tiverem resultados positivos tanto do ponto de vista econômico quanto social serão incorporados pela Microsoft.”

Mulheres da comunidade
distribuem o Shoktidoi,
iogurte criado pela
Grameen Danone Foods
para combater
a desnutrição infantil

A criação de negócios que beneficiem ao mesmo tempo a população pobre e as empresas, defendida por Gates, vem sendo objeto de estudo de diversos pensadores nos últimos anos. Um deles é freqüentemente aclamado pelo fundador da Microsoft: o indiano C. K. Prahalad, professor da Universidade de Michigan, responsável por popularizar no mundo corporativo a teoria da “base da pirâmide”. Num artigo que data de 2002 escrito em parceria com Stuart Hart, professor da Univer-sidade Cornell, Prahalad chamou a atenção das empresas para as 4 bilhões de pessoas que sobrevivem com uma renda anual de até US$ 1,5 mil. (Um estudo do WRI/IFC de 2007 apontou 4 bilhões de pessoas com renda anual de US$ 3 mil.) Segundo Prahalad, o poder de compra dessa população – sem acesso a produtos e serviços que caibam nos seus bolsos – é expressivo e representa uma enorme oportunidade de negócios para as grandes corporações, que enfrentam mercados cada vez mais saturados nas classes altas e têm voltado suas atenções para os países emergentes. Ao vender para os pobres, as empresas – especialmente as multinacionais, com seus pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento e suas enormes redes de distribuição – ajudariam a aliviar a pobreza. As referências usadas por Prahalad no livro A Riqueza na Base da Pirâmide tornaram-se famosas. Entre elas, estão a brasileira Casas Bahia, que se transformou numa potência do varejo ao concentrar seus negócios nas classes C e D, e a Hindustan Lever, subsidiária da Unilever na Índia, que desenvolveu, entre outros produtos, um sabonete antibacteriano especialmente para a baixa renda.

Foto Robyn Twomey/Corbis/Latinstock; Edição De Imagem Marcelo Biscola; Foto divulgação

Época Negócios;

SP, RJ, RS e ES passam a operar programa Juro Zero.

Fonte: Valor Econômico.

A Finep, agência de fomento do Ministério da Ciência e Tecnologia, credenciou quatro novos parceiros para operar o Programa Juro Zero. Os agentes selecionados através de chamada pública são a Caixa Estadual S/A, do Rio Grande do Sul, a Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo, e a Investe Rio, agência de fomento do Estado do Rio de Janeiro.

Com empréstimos sem juros e pagamento dividido em cem parcelas, o Juro Zero é voltado para micro e pequenas empresas inovadoras com faturamento anual até R$ 10,5 milhões. Os financiamentos variam de R$ 100 mil a R$ 900 mil, corrigidos apenas pelo índice da inflação - Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e devem ser utilizados em 18 meses. Não há carência, e o empresário começa a pagar no mês seguinte à liberação do empréstimo.

Com o resultado da chamada, o programa passa a operar em nove estados brasileiros - Santa Catarina, Paraná, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Os agentes que já estavam em operação são a Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a Federação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e o Porto Digital, em Pernambuco. As instituições selecionadas agora passarão por um período de treinamento até que estejam aptas a operar o Programa.

“O volume de recursos a ser disponibilizado inicialmente para cada novo agente será de R$ 10 milhões”, afirma o chefe do Departamento de Financiamento da Área de Pequenas Empresas da FINEP, Rodrigo Coelho. Segundo ele, à medida que os recursos vão sendo comprometidos, os agentes podem entrar com pedido de verba suplementar.

Desde 2006, quando o Juro Zero entrou em operação, já foram aprovados 61 projetos no valor total de R$ 34,5 milhões. A finalidade do programa é estimular a capacidade inovadora das microempresas e empresas de pequeno porte brasileiras que desenvolvam projetos de inovação tecnológica, por meio de financiamento de longo prazo e com juro real zero.

Ao todo, a FINEP recebeu oito propostas na última chamada pública do Juro Zero, lançada em novembro de 2008. Dessas, seis foram pré-qualificadas e quatro aprovadas.

O comitê de avaliação, formado por técnicos da FINEP, considerou, entre outros fatores, a capacitação gerencial e a experiência da instituição ou do consórcio para operar o programa, a infraestrutura disponível, a qualificação da equipe responsável pela análise e acompanhamento dos projetos de inovação e a qualidade do estudo técnico que contemplou o perfil da demanda e a área geográfica de atuação do parceiro.